A Fundação ABC e os “apadrinhamentos” que desmotivam Funcionários

Para: gabinetedosecretario@saude.sp.gov.br; secretarioadjunto@saude.sp.gov.br; comunicacao@mp.sp.gov.br; orlandomorando@globo.com; perycartola@camarasbc.sp.gov.br; ouvidoria sbc; divisao.ubs; diretoria sbc; geraldo.reple@saobernardo.s; ouvidoria@mpsp.mp.br; simone.machado@saude.gov.br; doges@saude.gov.br; ulisses.amorim@saude.gov.br; hozana@saude.gov.br; CGEMS@SAUDE.GOV.BR; pgm@saobernardo.sp.gov.br

Assunto: Funcionária Fundacao ABC

Exmo. Sr.

Eu, Janaina Cavalcanti da Silva Macedo, Brasileira, Casada, Oficial Administrativa, RE 12945, portadora xxxxxx, CPF: xxxxx, residente e domiciliada na Rua , 186, São Paulo, SP, Cep: xxxx participei do processo seletivo do Complexo Hospitalar e Central de Convênios Edital 001/2011 , para o cargo de oficial administrativo e sendo classificada, ocupo o cargo desde 01/2014, sou lotada na UBS Orquídeas – SBC, venho oferecer Representação contra Prefeitura de SBC, e expor os seguintes fatos:

Desde o inicio de minha contratação, entre outras funções, desempenho a regulação interna das guias de especialidades e exames. Colocando em fila de espera no sistema Hygia e também realizando os agendamentos, planilhas de controle interno e conversa com as equipes para sempre otimizar a micro regulação da Unidade.

Informo que todos nós, funcionários contratados pela Fundação ABC, estamos sem dissidio há dois anos e sem melhoria nos benefícios há 3 anos, inclusive com processo tramitando na Justiça do Trabalho. A argumentação é a crítica situação financeira do Município, devido crise econômica.

Há dois anos tivemos o adicional de Insalubridade retirado de nosso ordenamento financeiro e também foi retirado o subsidio do convênio médico, tudo isso com a justificativa de não redução no quadro de funcionários.

Ocorre que há aproximadamente dois meses, recebemos em nossa Unidade , uma Assistente Técnica, para assumir a regulação interna. Trata-se da esposa do candidato a vereador Eder Gomes, PSDB. A mesma é formada em Letras e não possui nenhuma qualificação e/ ou experiência na área da saúde. O fato mais agravante é o elevado salário no valor de 4.800 (quatro mil e oitocentos ) reais.

Assim, que tomamos conhecimento do fato, mesmo com sentimento de revolta e injustiça, nos dispomos a ensinar o serviço, já que a mesma desconhecia toda a tarefa desempenhada . Tanto eu como o outra Oficial tivemos a mesma postura, ou seja, a atitude de ensinar o trabalho, acima de tudo por respeito aos pacientes, a parte teórica passamos toda e a fizemos anotar em um caderno e nos disponibilizamos para maiores dúvidas. Realizamos juntas as tarefas, para que a mesma aprendesse e atendemos todos os pacientes em sua presença.

A sala onde se encontra a Administração da Unidade, não suporta mais do que 3 mesas, devido espaço e cabeamentos de acesso. Em contato com o Departamento de Atenção Básica, fomos informadas que não haveriam mesas disponíveis. Conseguimos fazer algumas adaptações e subimos a sala da Administração para o andar superior , área restrita, com o conhecimento antecipado do Gerente da Unidade e da Sra. Suzinete.

Após 1 (um) mês de treinamento, fizemos a mudança, a Assistente ficou assustada com a situação e começou a se negar a atender os pacientes sozinha. Entrou em contato com o gerente , que se encontra em período de gozo de férias , e fez a reclamação de que não teria condições de ficar sozinha com as atribuições da Regulação interna. De imediato recebi uma mensagem do gerente pedindo para que até ele voltasse à suas funções eu acompanhasse o trabalho da Assistente.

Porque é muito justo, ser criado um cargo com salario três vezes maior que o meu, para desenvolver uma tarefa que já estávamos desempenhando , e mesmo assim sem receber insalubridade eu tenha que atender os pacientes , já que a Assistente não se sente preparada para realizar o atendimento.

O departamento a convocou para realizar um treinamento. Quando a mesma retornou trouxe a informação que ela seria apenas a referencia da Regulação, mas que não desempenharia as funções sozinha.

Levanto a questão por que criar um cargo, em meio uma crise financeira, com salario tão elevado para pessoas nem ao menos qualificadas? Onde se falta material para o setor de Odontologia trabalhar e remédios na farmácia. Onde não se pode pagar dissídios aos funcionários?

Estou muito desmotivada e frustrada com a atual situação no trabalho. Outro fato que elevou meu descontentamento foi o seguinte:

Ano passado durante o período das eleições, recebi na Unidade, vários telefones de assessores de gabinetes e mesmo de candidatos, solicitando vagas, onde minha resposta sempre foi: – está sendo obedecido a fila de espera, maiores dúvidas dirija-se a ouvidoria da secretaria de saúde, independente em nome de que partido politico a pessoa estava entrando em contato, minha resposta era sempre a mesma. E na atualidade já atendi ligação destinada diretamente à Assistente, para solicitar liberação de vagas. Eu tinha uma postura diante do exposto , agora que postura irá ter uma pessoa que deve favor, alias que só esta no cargo em questão , devido favores políticos. Sinto aflição, apenas em imaginar como será o fluxo ao que vem durante o período das eleições.

Em contato com a UBS Vila São Pedro, para resolver questões administrativas, fui atendida da seguinte forma: Alô, aqui é o Negão da Barraca. – achando que tivesse ligado em número errado , pedi para repetir a informação, onde obtive a resposta: Você é surda? Aqui é negão da Barraca. Um tempo depois, descobri que se tratava do Assistente Técnico, Gilson , candidato a vereador também pelo PSDB.

Na reunião do Conselho Gestor na Unidade, uma das participantes Sra. Raquel Bezerra, candidata a vereadora, PSDB, relatou que foi convocada pela Fundação ABC, a comparecer no próximo dia útil para assinar contratação.

Essa realidade, dos cargos de Assistentes Técnicos , criados pelo Exmo. Sr. Prefeito Orlando Morando, ser os popularmente conhecido “cabides políticos”, não ocorre só na Ubs Orquídeas ou na Ubs Vila São Pedro, como citados nos exemplos, muitos pelo contrário:

-UBS Pauliceia, é a filha do candidato , Osvaldo Silva, PHS.

– UBS Ipê, é filha do candidato, Gil do Salão, PHS.

– UBS Parque São Bernardo , Dr. Ivan Camargo, PSDB

– UBS Vila Marchi , candidata a vereadora Viviane UREL, PRTB

– UBS Farina , filha do candidato, Dr. Alberto , PHS

E assim, por diante as 34 (trinta e quatro ) Unidades vão recebendo os Assistente Técnicos, com seus sucessivos candidatos, envolvidos nas citadas contratações.

Pelo pouco conhecimento que possuo, entendo que a Constituição Federal, da prerrogativa de criação de cargos ao Prefeito, o que não entendo é diante da realidade financeira do Município de São Bernardo do Campo, esses cargos serem criados e principalmente preenchidos por pessoas sem qualificações ou experiência. O que também não entendo é como a Lei Orçamentária aprova tudo isso, que prioridades tem as contas públicas?

Cargos de Assistente Técnico não teria que ser preenchidos por pessoas com nível superior?

Pesquisei na Imprensa Oficial (D.O), não encontrei nada a respeito da criação desses cargos.

Do Pedido

Diante do exposto, considerando que os fatos acima narrados caracterizam, em tese, ofensa aos Direitos Trabalhistas, peço encarecidamente que eu seja desligada do quadro de funcionários da Fundação ABC, Central de Convênios.

Me sinto desvalorizada, desmotivada, humilhada e injustiçada.

Desde que entrei na UBS, vesti a camisa, dei sempre o meu melhor. Até hoje, continuo trabalhando da mesma forma, por respeitar os pacientes e funcionários e não prejudica-los de nenhuma forma. Mas, está fazendo mal para mim, tenho medo de desenvolver alguma doença física ou mental, diante da minha grande insatisfação. Por isso, ressalto, meu desejo de ser demitida.

Cogitei a ideia de pedir demissão, mas em contato com o Rh, descobrir que faltam muitas parcelas de um empréstimo que quero muito quitar.

Não me nego a fazer meu trabalho, desempenhar minhas tarefas, mas não vou mais atender pacientes, sem receber insalubridade e tendo a Assistente Técnica, contratada para ser referencia da Regulação.

Gostaria de pedir também para o Departamento conversar com os Oficiais e esclarecer quais são nossas funções , porque pelo menos até mim , não chegou nada oficial, apenas cobranças e ameaças de possíveis consequências, caso não faça o trabalho da Regulação .Relato que foram essas as palavras do apoiador Fabio David, que participou do treinamento no Departamento com os Assistentes , que se os oficiais não continuassem a fazer as tarefas da regulação interna, sofreriam consequências. O que da forma mais educada possível, diante da situação, respondi que quem trabalha de graça é o relógio, que sou uma funcionária que tenho direito e deveres e também mereço respeito.

Solicito que tudo que foi relatado aqui , seja revisado e analisado pelas autoridades, para assim melhorar o ambiente de trabalho de todos os outros colegas, Oficiais Administrativos, que se encontram, na mesma realidade que eu , fazendo o trabalho dos Assistentes e não tendo seus esforços reconhecidos.

Como citei acima, a solicitação de vagas feita por algumas pessoas envolvidas com politica, é um fato que não quero participar, me nego a vivenciar essa realidade, me nego a fazer parte disso tudo. Acredito que não foi por um acaso , a criação desses cargos de livre acesso as vagas de especialidades, antes das eleições. Sinto-me enojada com a politica pública empregada no Município de São Bernardo do Campo, me passa a sensação de que a saúde pública é um comércio , daqui um tempo, só se vai conseguir vaga nas especialidades se o cidadão for simpatizante com determinado partido politico. Acredito que esse vai ser o principio da equidade aplicado no SUS de SBC.

Informo que sou apartidária, mas depois que entrei em contato com meus superior, relatei toda minha insatisfação e fui informada que apenas funcionários que “causassem” , seriam dispensados. Pensei, e pelos meus princípios e caráter, jamais deixaria que a omissão de meu trabalho fosse prejudicar pacientes ou funcionários. E tendo conhecimento da perseguição que alguns funcionários que defendiam ou eram ligados ao Partido dos Trabalhadores, tiveram suas demissões assinadas. Comecei a postar em minha rede social assuntos relacionados ao partido, como uma forma desesperada de ser demitida.

Acredito que a saúde é feita de pessoas para pessoas, com dedicação, empatia, respeito, qualificação, aperfeiçoamento técnico, carinho e profissionalismo, mas, sei que diante do meu descontentamento, não me sinto adequada a continuar, peço respeitosamente o meu desligamento.

Att

Janaina Cavalcanti da S. Macedo”

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