CPI da OAS: Governo vê morosidade; oposição enxerga circo

Maurício Cardozo (PSDB) Presidente da CPI da OAS

Por Marcos Tato

A CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) instaurada para apurar se houve pagamento de propinas para agentes públicos do município, na gestão do ex-prefeito Luiz Marinho (PT), tem esbarrado na falta de boa vontade do Poder Judiciário, segundo afirmam membros da comissão.

“Chega a assustar o volume de dinheiro que a OAS tinha para dispor em propinas e agentes públicos em todo o País. Ficou claro que a maior parte do dinheiro não era para caixa dois de campanha e sim para enriquecimento ilícito”, disse o relator da CPI, Julinho Fuzari (DEM). Julinho também reclamou do que chamou de interferência do Poder Judiciário no caso, “Existe uma barreira para que possamos ter mais agilidade na apuração dos responsáveis”, disse em referência à decisão obtida por Vieira para não prestar seu depoimento.

Nesta quarta-feira (2), seria realizada a acareação entre depoentes que, relatam os membros, entraram em contradição: Léo Pinheiro, José Ricardo Breghirolli, Carlos Henrique Barbosa Lemos e Mateus Coutinho, pessoas que estiveram na OAS entre 2009 e 2016. Das quatro pessoas, apenas três marcaram presença através de vídeo conferência. Carlos Henrique que, segundo apurado, teve um depoimento conflitante, conseguiu através de uma liminar um habeas corpus que facilitou o seu não comparecimento, “Estamos procurando deliberar junto a procuradoria da casa, para que todas as medidas cabíveis sejam tomadas e que o depoente possa vir a fazer a acareação. Mas estamos a mercê do Poder Judiciário, porém o mesmo não tem contribuído, já são três habeas corpus, uns concedidos, outros através de liminar, à Marcelo Vieira, gerente operacional, Alexandre Taurino, diretor financeiro, e como agora à Carlos Henrique, o que deixa o trabalho da CPI prejudicado, visto que no seu primeiro depoimento ficou claro que era o operador em São Bernardo. Gostaríamos muito que o Judiciário colaborasse, mas há uma situação de interferência, como se estivéssemos de patuscada ou passatempo”, declarou o presidente da CPI, vereador Maurício Cardoso (PSDB).

Ana Nice (PT) : ” O que está acontecendo aqui é um circo…”

Para a vereadora Ana Nice (PT), a intenção dessa CPI é atravancar e impedir que seja protocolada e votada uma Comissão que investigue os casos de corrupção envolvendo o primeiro mandato de Orlando Morando, que estão sendo investigados pelo GAECO – Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado do Ministério Público de SP, em segredo de justiça. “Investigações sobre OAS já foram feitas em escala federal, depoentes estão vindo e repetindo o que já disseram na Lava Jato, que aliás sabemos toda a descredibilidade existente. O que está acontecendo aqui é um circo, estamos próximos de novas eleições, tudo isso em função de blindar essa gestão do PSDB, sendo que no ano passado (2020), foi realizada uma manobra mudando o regimento interno da casa, para que fosse instaurada apenas duas CPIs e fizeram isso logo na primeira sessão desta legislatura, num claro gesto de que a intenção é blindar o prefeito Orlando Morando de uma possível CPI sobres os fatos que já são de conhecimento público sobre o seu primeiro mandato”, afirmou a vereadora.

O presidente da CPI, Maurício Cardozo, discordou: “Léo Pinheiro afirmou em (17/05) ter conhecimento de pagamentos indevidos e, durante a gestão do ex-prefeito Luiz Marinho, em mais R$ 20 milhões e irregularidades na licitação da obra do Piscinão do Paço. Só queremos apurar”.

A vereadora Ana Nice, em réplica, questionou os R$ 4 milhões gastos por Orlando Morando para fazer a auditoria da obra do Piscinão do Paço, “O prefeito Orlando Morando assim que assumiu fez questão de parar a obra e gastar o dinheiro público em uma a auditoria que nada encontrou, seria mais que lógico que ele apresentasse esta auditoria na CPI, sendo que todas as contas da gestão Luiz Marinho foram aprovadas, inclusive aqui na Câmara durante o primeiro mandato do prefeito Orlando Morando”, enfatizou Ana Nice.

A dissonância de Cardozo quanto a declaração da vereadora Ana Nice foi clara, “Desde quando propinas aparecem em relatórios de contas. É isso que queremos investigar e vamos esclarecer”, concluiu o peessedebista.

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