Em São Caetano, Câmara irá apurar conduta de vereadora do PSOL na ocupação do CRAS

Bruna Biondi (PSOL)

Por Marcos Tato

A 17a. Sessão ordinária da Câmara Municipal de São Caetano, nessa terça-feira (09), teve atraso de quase uma hora no seu horário devido à reunião da bancada governista. O que estava em pauta na reunião era a retaliação do governo contra a oposição sul-caetanense, em especial contra a vereadora Bruna Biondi (PSOL). No início dos trabalhos da casa, o vereador e líder do governo, Gilberto Costa (AVANTE), apresentou requerimento pedindo a instauração de uma Comissão Especial de Ética para apurar a conduta da vereadora Bruna Biondi, nos protestos no CRAS – Centro de Referência de Assistência Social e na ocupação do Clube Fundação por cerca de cem pessoas que estavam no terreno onde ficava o edifício Di Thiene, no bairro Fundação.

Segundo foi registrado em vídeos, encaminhados para o vereador Gilberto Costa, houve bastante tumulto, com xingamentos às autoridades, secretários, equipe de comunicação e também depredação do patrimônio público, onde a vereadora Bruna, de acordo com Gilberto, aparece fazendo discursos insuflando e orientando os ocupantes a resistir. Para o líder do prefeito Tite Campanella na Câmara, Bruna teve uma atitude não coerente com o mandato de vereador.

O requerimento foi aprovado por 11 votos contra 4.

Gilberto Costa sustentou seu requerimento apontando erros de Bruna, “A meu ver houve quebra de decoro, prevaricação, à medida que a vereadora assistiu a depredação do patrimônio público e nada fez para conter, entre demais posturas que devemos apurar”, pontuou o autor do requerimento.

O vereador Professor Jander Lira (DEM) chegou a pedir para que a votação do requerimento fosse adiada por duas sessões, tentando fazer a poeira baixar em apoio a vereadora, com a intenção de conseguir um acordo, porém teve seu pedido votado e negado. “Não se toma leite fervendo, acredito que a postura da vereadora não cria mácula nem mancha a história desta casa de leis”, disse o vereador com o intuito de conseguir um diálogo com a situação, sem ter sucesso. “Como aprovar uma comissão especial de ética se não temos um código de ética aprovado na Câmara, para apontar qual artigo a vereadora Bruna infringiu? Esta propositura abre precedentes nada favoráveis à esta casa no que tange a conduta da base governista, pois hoje somos oposição, mas amanhã poderemos ser situação. Sem dúvidas a maior beneficiada será a Bruna, porque acabaram de transformá-la na maior liderança do município”, concluiu Jander.

A vereadora Bruna Biondi disse que vai recorrer à Justiça, “O que está acontecendo é uma perseguição da oposição as prerrogativas do meu mandato. Onde está a falta de ética em fiscalizar o poder público e os direitos violados dos cidadãos? Fizemos o intercâmbio entre a sociedade civil e a prefeitura. O meu mandato estava exercendo o próprio trabalho. A intenção desta comissão é deslegitimar meu mandato. Querem investigar as atitudes dos manifestantes ou o trabalho do vereador? É um absurdo, vamos à Justiça”, afirmou a vereadora.

Um processo em comissão de ética pode resultar no pedido de cassação do mandato.

HISTÓRICO

O imbróglio envolvendo estas famílias teve início em junho de 2019 quando parte do prédio desabou e a defesa civil teve de interditar o local. Na ocasião, 102 famílias ficaram desabrigadas, sendo que no desabamento oito se feriram levemente.

Até janeiro deste ano, as famílias receberam um auxílio aluguel de R$ 400, mas o valor deixou de ser pago. Segundo as famílias, havia uma promessa feita pela prefeitura de que eles seriam contemplados com moradias populares, mas isso nunca aconteceu.

Cerca de 100 pessoas que estavam no terreno onde ficava o Edifício Di Thiene, no bairro Fundação, e foram removidas na manhã de quarta-feira (2), protestaram no CRAS – Heloísa Pamplona

Na sexta-feira (4), após a invasão do CRAS, a Justiça deu prazo de 24 horas para que a gestão municipal transferisse as famílias para um espaço digno, com alimentação e higiene, sob pena de multa diária de R$ 10 mil, em caso de descumprimento.

Os moradores da ocupação afirmaram que a Guarda Civil Metropolitana (GCM) vinha impedindo acesso a água e comida.

A Defensoria Pública conseguiu na Justiça de São Paulo uma liminar permitindo que algumas famílias que ocuparam por cinco dias o CRAS, permanecessem agora no Centro Recreativo e Esportivo Fundação, que estava sendo preparado como alojamento e foi invadido por outros moradores, que não recebiam atendimento.

Está agendada para o dia 23/6, uma audiência pública com a CDHU – Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo, que já informou que aguarda a prefeitura encaminhar a complementação dos documentos para análise da construção das moradias.

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