Gerson Moura: “Não se deve primeiro fazer política e depois administrar a cidade”

Nosso  bate papo desta semana foi com o Especialista em Políticas Públicas e Estrategista Digital Gerson Moura.

Eu conheci o Gerson há poucos anos, quando ambos coordenamos um Fórum de discussões de Políticas Públicas para a Cidade de Mauá. Surgia ali uma amizade, regada com muito respeito e admiração que tenho por sua forma de ver política e fazer dela um meio de valorizar o cidadão.

Além de pilotar um projeto como a Escola de Governo de Ribeirão Pires, atualmente ele apresenta junto com o Jean Moura o podcast político denominado POLITIVOZ (https://www.youtube.com/politivoz) onde, toda sexta-feira, analisa temas políticos da nossa região, com convidados especiais.

P.: O que é o Podcast PolitiVoz? Uma plataforma que você quer debater política diretamente com a sociedade ?

R. Exatamente. Esse projeto surgiu graças ao convite do Jean Moura, idealizador da Horizonte Web TV e também do produtor Everton Nemeth. Nós queremos tirar o melhor de cada pré-candidato, gestores públicos (executivo e legislativo) e até mesmo atores que fizeram parte dos bastidores das campanhas regionais. Olha que legal, no primeiro mês de entrevista ja conversei com futuros candidatos (deputado) e com a Gleicy que fez parte diretamente da campanha do prefeito de Mauá. Estamos com um leque muito bacana de convidados até agosto, inclusive já está em nosso radar ampliar de um programa semanal para dois. Quero levar para a região numa entrevista direta e sem jogo combinado, falar da boa política e como fazer.

P.: E as campanhas políticas?

R.: Já estamos monitorando.

P.: Então a eleição de 2022 já começou?

R..: Assim que terminou a do ano passado (2020). Sempre é assim: sempre que termina uma, começa outra, Terminou para prefeito, vira-se a página e já começa  o trabalho para deputados e governador. Não considero a disputa para Senador neste caso, porque normalmente o senador é uma campanha atrelada diretamente a do Presidente (em especial aqui em São Paulo). É uma tendencia associar o Senador a quem se vai eleger para presidente. Fora isto toda campanha começa assim que termina a outra.

Se um candidato não estiver montando sua estratégia e seu grupo agora, vai ser muito difícil ele alcançar o seu objetivo.

A eleição é continua, não existe ano sabático. Ou você sai da política, ou você já começa a planejar a próxima eleição, o próximo trabalho. Veja, como exemplo, a Vanessa Damo e o Donisete Braga, perdendo ou ganhando, sempre disputaram.

P.: Mas o Donisete agora deu entrevista dizendo que vai sair da política…

R.: Eu não acredito nisso porque ele é muito político, muito ligado na disputa eleitoral. No máximo ele pode passar a ser alguém que coordena uma campanha. Ele pode se afastar de se candidatar, mas não da política.

 P.: E Você acha que no ano que vem vai ter gente vindo candidato apenas para se manter em evidência para poder vir candidato a prefeito em 2024?

 R.: Sim! Isto é natural. Para se manter no proscênio político e para medir sua capacidade de atrair eleitores. Vou te dar um exemplo: em Diadema, o Taka perdeu no segundo turno. É natural agora que ele venha a deputado para se manter em evidência, manter o grupo e buscar aí um novo espaço ou mesmo manter seu espaço.

P.: Você tem uma escola política. Como funciona essa escola?

 Eu sou admirador da formação política, amo a política. Para alguns a política pode ser um meio de você sobreviver e ganhar dinheiro. No meu caso não. É um  meio de transformar a vida das pessoas e quando você transforma a vida das pessoas você precisa passar pela formação política. Você mesmo (Daniel) lecionou em um projeto que construí em Santo André, que foi no campo do Direito Eleitoral. Ali você não formou só candidatos, você formou pessoas para a sociedade, pessoas que saem dali com conhecimento e vão replicar, ciente do  seu projeto social, seu limite. Este é o objetivo e eu estou levando isso para algumas cidades até mesmo para ações de governo.

 Por causa da pandemia, a gente parou um pouquinho porque eu prefiro aula presencial. Eu acho que aula presencial dá um alcance maior porque você interage com as pessoas, você tem aquele bate-papo no corredor quando termina a aula.

Eu me preocupo muito com essa formação política. Hoje mesmo tive uma conversa com a chefe de gabinete da deputada Federal Tábata e falamos muito sobre escola de governo. Hoje, acabamos de aprovar na Camara de Ribeirão Pires a nossa escola de governo Municipal.

Essa escola vai, num primeiro momento, formar o servidor público e, em seguida formar a sociedade.  Nós trabalhamos em duas esferas: uma na Esfera governamental onde você institui um projeto político de fato, coloca o plano de governo na prática e, num segundo momento, levamos para a sociedade os princípios fundamentais da política e da democracia.

P.: Há uma frase que diz que o Brasileiro não sabe votar. O que você pensa disto?

Quando cidadão sabe o poder do voto,  que ele se torna mais caro que uma cesta básica, porque lá na ponta vai faltar remédio, médicos na UBS, no final se tornará mais caro  que 100 reais,  mais caro que uma compra de liderança, quando ele tem essa consciência que o voto dele é caro, ele pode aprender a cobrar diretamente do seu representante. O papel do cidadão é fundamental. Se ele soubesse a força que tem quando cobra um parlamentar ele não venderia seu voto de maneira alguma.

Nós, eu e você, Daniel, que atuamos no campo da politica, nós temos voz, Quando nós falamos as pessoas param para ouvir porque a gente tem certo know-how de debates. A gente briga e a sociedade já conhece a nossa voz e a sociedade precisa mostrar isto também.

Quando isto acontecer, o parlamentar vai ver que tem que ser diferente e este é o objetivo da nossa escola. Sabemos que a mudança virá, ainda que a passos de tartaruga, mas virá.

P.: Voltando a falar de Mauá, você acha que a última eleição foi decidida pela razão ou pela emoção?

 R.: Certamente pela emoção. Houve dois movimentos: um denominado “anti Atila” e outro “pró-Atila”. Se você pegar o Marcelo, o Juiz João e o Lourencini, são três figuras que eram anti Atila e o outro lado com muitos partidos, vereadores, a máquina pública, mais de 600 comissionados (e suas famílias). O Átila não percebeu isto no começo e fez uma campanha dizendo que faria uma campanha da paz, mas não existe campanha assim em Mauá. O emocional sempre aflora. Quando ele percebeu isto, já não dava mais tempo, era dois dias para o segundo turno e ele já havia sido ultrapassado nas pesquisas e não deu tempo de reverter. Ele é um bom ator político, teve 70 mil votos no primeiro turno, mas errou ao achar que a eleição seria decidida pela razão, faltou a famosa estratégia, candidato não pode deixar nunca de ter um estrategista, que faça da razão um norte para a campanha.

P.: E isto refletiu na eleição do grupo do G 14?

R.: Sim, se o Atila tivesse eleito um grupo grande,  hoje ele comandaria a câmara, Daí ele não teria que sofrer tanto para aprovar as suas contas. Quando uma câmara renova 70% de seus quadros, boa parte do grupo do ex-prefeito se foi. Mas eu acho que o G 14, por si, já acabou. Ele já não está unido. Tem vereador que já está votando de acordo com sua posição pessoal, deixando de lado seus eleitores. Tem hora que vota a favor do governo, tem hora que ele vota contra o governo, perceba até o momento o governo sequer possui um líder, você não acha que isso quer dizer algo?

Avalio que o governo começa a ter um conforto para administrar, mas, precisamos observar se eles vão continuar votando com o governo quando chegar na segunda metade da legislatura, porque aí começa a romper pensando na reeleição

P.: Você vê hoje a possibilidade de Mauá eleger deputados no ano que vem?

R.: Vai depender de quantos candidatos que a cidade vai lançar. Quanto maior o número de candidatos mais difícil terá alguém eleito. Aqui deveria existir uma força única. Por exemplo, se a Câmara decidisse que o Gerson vai ser nosso candidato e vamos lutar para que a cidade seja representada, vamos deixar de lado acordo político e vamos colocar o Gerson. Aí a chance seria maior, mas como cada um vai apoiar um candidato, fica difícil eleger alguém. A não ser que o candidato também busque em outras cidades o complemento para seus votos.

Eu vejo aqui em Mauá algumas candidaturas fortes. Só não vou citar nome para não ser indelicado (risos).

Eu acho que em Mauá é um trabalho muito difícil eleger uma pessoa só com votos daqui. Tem que buscar de fora.

Já outras cidades, a realidade é outra. Santo André, por exemplo, consegue eleger sozinho alguém. Em São Bernardo, o Alex, até pela proximidade com o governo consegue se eleger. Diadema, não sei como vai ficar o cenário, porque mudou o governo. No geral eu acredito que o ABC deve ter muitos candidatos, porém será um grande desafio.

P.: Vamos falar um pouco de Ribeirão Pires. Temos visto o Prefeito Clovis Volpi se destacando no combate a pandemia. A Cidade tem antecipado vacinas, mantido hospital de campanha, trazido recursos, qual o segredo?

 R.: Eu me surpreendo todos os dias com o Prefeito Clóvis. Ele tem uma habilidade política, uma capacidade de dialogo muito grande. Estar com ele é aprender a ser humano. Ele é uma pessoa muito articulada. Enfrenta os problemas de forma sincera. Quando precisou dizer “vou fechar”, disse. Ele sabe que alguém vai ficar bravo, que pode afastar dividendos políticos, mas ele atua pensando sempre na população.

Ele também tem por principio, ser um gestor eficiente. Não se deve primeiro fazer política e depois administrar a cidade. Ele faz o que deve ser feito. As pessoas o elegeram para cuidar da cidade e não para se beneficiar do cargo para fazer política. O Clóvis sabe disto, por isto consegue coisas que os outros não conseguem.

E é também por isso que ele faz lives quase todos os dias, ele compartilha as informações. Na cidade você consegue encontrar ele facilmente almoçando ou ate mesmo visitando equipamentos públicos, ele conversar com as pessoas e não se esconder atrás de agenda ou assessoria. Ele está sempre disposto a falar a verdade, conversar com as pessoas e isso faz diferença. Ele vai até Brasília e já traz milhões em emendas parlamentares para ajudar a cidade, porque ele joga claro, ele é franco e isso faz toda a diferença.

Eu sinto falta disto, por exemplo em Mauá.

P.: O prefeito anterior deixou verba para o Clóvis enfrentar a Pandemia?

R.: Não. Mas, o Clóvis não fez disto um motivo de desculpa para não atuar. Ele mostrou o problema, porém não ficou perdendo tempo com politicagem. Este momento não é o de buscar culpados, ou acusar, mas de achar soluções. Esta deve ser a atitude de um governante, Isto deveria ser o principio de qualquer homem público.

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