PM propôs doação a entidade em troca de apoio à negociação de vacina

O reverendo Amilton Gomes de Paula, fundador da Secretaria Nacional de Assuntos Humanitários (Senah) – entidade beneficente de cunho religioso – teria recebido uma oferta de doação da Davati Medical Supply para ajudar a empresa negociar 400 milhões de doses da vacina AstraZeneca com o Ministério da Saúde.
A informação é do jornal O Globo

O religioso disse ao veículo que foi procurado pelo policial militar Luiz Paulo Dominguetti, suposto representante da Davati, O PM, contudo, não teria especificado o valor da contribuição.
Documentos emitidos pelo próprio Ministério da Saúde, revelados pela imprensa no sábado (3/7) mostram que De Paula tinha autorização da pasta para intermediar a venda de imunizantes, embora não ocupe cargos na esfera pública, nem preste serviços à União. Fundada em 1999, a Senah tem boa interlocução com deputados da Frente Parlamentar Evangélica.
Amilton de Paula afirmou ao Globo que esteve em uma reunião presencial com Dominguetti – o mesmo que acusou o ex-diretor de Logística do ministério Roberto Dias de cobrar propina para fechar o contrato com a Davati. Na ocasião, o militar não chegou a dizer que a proposta partia da Davati, mas mencionou que Herman Cárdenas, presidente da companhia nos Estados Unidos, teria feito doações a organizações em outros países.
O religioso disse ter levado a proposta da Davati ao Ministério da Saúde em março, em um encontro com o então secretário-executivo, Elcio Franco. Segundo Amilton, o fechamento do contrato estava condicionado à apresentação de um documento capaz de comprovar que a Davati Medical Supply era, de fato, intermediária da AstraZeneca. O PM concordou com a exigência, mas nunca teria apresentado o papel. 
Recentemente, a AstraZeneca negou manter relações com intermediários para venda de imunizantes. O  Canadá investiga a Davati por negociações fraudulentas de vacinas. No Brasil, a empresa procurou diversas prefeituras e governos estaduais com propostas igualmente suspeitas.
Em depoimento prestado à CPI da COVID, Luiz Paulo Dominguetti disse que procurou o Ministério da Saúde para oferecer 400 milhões de doses da vacina da AstraZeneca. O ex-diretor de logística da pasta, Roberto Ferreira Dias, exonerado na semana passada, teria exigido US$ 1 de propina para cada dose de vacina negociada. Dias e Dominguetti jantaram juntos em 25 de fevereiro.

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