Ana Carolina Serra na ALESP: Primeira-dama ou peoa?

    Por Febo Werneck

Os comunistas dizem por aí que Dilma Rousseff foi a primeira mulher a governar o Brasil. Séculos antes de o PT assaltar o país, Maria I governou Portugal e suas colônias. A imperatriz Leopoldina foi a grande responsável pela Independência do Brasil e sua sucessora Amélia também teve funções importantes. Ainda no Império, a imperatriz de jure Isabel é conhecida por assinar a lei de 1888 que foi revogada por Dilma Rousseff para que escravos cubanos viessem ao Brasil. Ainda que obtida por meio de um golpe horrendo, a República também possuiu mulheres notáveis. Dentro da era do café com leite Nair de Teffé teve algum destaque, foi a primeira caricaturista mulher do mundo e a introdutora da música popular nos eventos do Palácio do Catete. Décadas depois, dona Santinha, consorte de Eurico Gaspar Dutra, terá sido a grande responsável pelo fim dos cassinos na noite brasileira. 

    Gostem ou não de Getúlio Vargas, a realidade é que foi sua esposa a primeira primeira-dama do país a instalar uma “liturgia” para o cargo. Darcy Vargas inaugurou uma era de mulheres de políticos preocupadas com atividades assistencialistas e sociais, todas as suas sucessoras continuaram este rito. Ou seja, aquilo que antes era extraordinário tornou-se ordinário e é, por esta razão, que várias aventureiras julgam-se dignas de atingir um cargo de deputada apenas dando comida, como se outras nobilíssimas e estratégicas habilidades não fossem necessárias. 

     Antes de mais nada, consorte de político é cargo? Simbolicamente há um peso considerável na função porque a primeira-dama ou o primeiro-cavalheiro cuida das obras de caridade, atos públicos de inauguração, eventos familiares ou institucionais. Enfim, existe uma razão muito simbólica, emblemática e  especial desta figura política para as pessoas mais simples do povo. Logo, acumular a função de primeira-dama com a função (que, na verdade é um cargo) de deputada está bem distante de ser uma forma saudável de inserção na Política. 

      A grande marca do PSDB no ABC Paulista é tratar as consortes dos prefeitos não como damas, mas como rainhas, cavalos, torres, bispos, verdadeiras peças de xadrez. Em São Bernardo do Campo, o grande investimento foi Carla Morando que acumula os cargos de primeira-dama do município e deputada da ALESP. Como imperialismo pouco é bobagem, caso celebrem-se novas eleições em Ribeirão Pires, o ex-prefeito Kiko e atual secretário de Orlando Morando deve lançar sua esposa para prefeita. E em Santo André o gado tucano quer porque quer colocar Ana Carolina Barreto Serra, atual primeira-dama do município, na ALESP, afinal se São Caetano do Sul tem um twink passando vergonha lá e SBC tem sua representatividade na dona da lojinha de chocolates, justo que Santo André também tenha o seu pokemon Magikarp.


    Sarcasmo à parte, este texto não pretende humilhar ninguém (até porque não fui eu quem obriguei a todos ficarem em casa e passarem fome), o texto só mostrará como um município importantíssimo não precisa de tamanha vergonha e, como, Ana Carolina e suas amiguinhas podem até mesmo alçar voo político se aceitarem críticas construtivas. Afinal, ninguém merece ver certos políticos fazendo o possível e o impossível para aparecerem. 

       Vários seguidores do PSDB afirmam nas redes sociais que o município deixa de ganhar emendas por não ter nenhuma representatividade no Congresso Nacional e na ALESP, o que é realmente negativo. Mas a pergunta deveria ser destinada aos deputados do ABC como Carla e Thiago, até porque não são eles que, teoricamente, representam e até pedem voto na região? As sete cidades não estão em comunhão por meio de um consórcio? Por que, diante disto, preocupar-se agora com os fundos de Santo André? Não soa contraditório? Se andreenses fiscalizarem melhor o trabalho de Carla Morando, talvez a mesma seja mais generosa. Ainda sobre emendas, é justo votar em alguém de sua cidade por emenda ainda que esta pessoa tem ZERO opinião política? O eleitor deverá se prostituir? O programa Bolsa Família era assim utilizado na gestão PT para ameaçar as pessoas. Emendas para Santo André são o bolsa família do PSDB? 

     Como se sabe ou deveria-se saber, a Assembleia se dedica a cuidar da legislação estadual e fiscalizar o governador. Seria interessante ver postagens de Ana Carolina Serra defendendo ou criticando João Dória já que, caso seja eleita, ela não poderá fazer distribuição de cesta básica da Avenida Sargento Mário Kozel Filho. Conveniente lembrar que as várias regiões do estado possuem suas identidades, balanças econômicas e demais características, mas são atendidas pelo mesmo sistema estadual de saúde e educação, por exemplo, o que implica que os deputados devem fiscalizar as possíveis irregularidades. Respondendo a um puxa-saco de Paulo Serra, a régua para medir a inteligência dos parlamentares é aquela que vai de Rosana até Ubatuba. Acreditem: existem outras cidades no estado de São Paulo além das sete cidades folclóricas. 

      Pautas nacionais e internacionais não são foco de quem busca a ALESP. Contudo, obviamente tais pontos podem e devem ser abordados numa quantidade menor considerável já que o eleitor não é idiota e gosta de saber o que o candidato pensa num aspecto macro e geral. Além do mais, não deveria ser um problema definir-se ou assumir identidade com um segmento até porque é público e notório que o PSDB é um partido de esquerda ainda que haja dificuldades de enxergar isso.

    Por fim, acredito ser de uma falta de caráter irremediável uma pessoa violar o sacrossanto direito de ir e vir devidamente registrado na Constituição Federal sob pretexto de crise sanitária e, depois de gerar caos e fome, distribuir cestas básicas. Obviamente, queremos todos acreditar que não se trata de compra de voto, até porque já foi crime no passado. Seria muito enriquecedor ao debate público que as esposas do ABC encontrassem um caminho mais cristão, caridoso e menos vergonhoso. Afinal, são damas ou peoãs? O jogo é damas ou xadrez? Portanto, qualquer indivíduo que queira concorrer a um cargo público eletivo deve buscar expressar-se na sociedade com discursos coerentes e criativos buscando sua própria marca. 


Um comentário

  1. É sempre bom contar a história de verdade. Governos como PT e PSDB, que hoje sabemos que são gêmeos semeaneses da maldade e escoria política, perdendo apenas para o primo MDB, são mestres em deturpar a história e muitas vezes apagar personagens importantes e sempre se colocando como pioneiros, o que não são e nunca serão. São apenas mais do mesmo coronelismo e suas mulheres nada tem a acrescentar a não ser um discurso populista de inclusão de mulheres na política, tendo competência ou não. O que no caso, a maioria não tem. Sou mineiro mineiro aqui não foge à regra.

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