Independência do Brasil.

Á 199 ANOS DOM PEDRO PROCLAMOU A INDEPENDÊNCIA DO BRASIL.

Foi às margens do Riacho Ipiranga, há 199 anos, em um 7 de setembro como hoje, que Dom Pedro I declarou a independência do Brasil em relação a Portugal.

Mas até chegar a esse momento, Dom Pedro I percorreu um longo caminho. Em meio a um momento político conturbado no Brasil Colônia como acontece atualmente, D. Pedro I partiu do Rio de Janeiro para a Província de São Paulo para apaziguar os ânimos. Lá, um grupo queria que o Príncipe Regente acatasse as ordens de Portugal e voltasse para a Europa, enquanto outro grupo defendia que ele permanecesse no Brasil.

Ao longo da viagem, há quase 200 anos, ele passou por onde hoje está localizada a Via Dutra, importante rodovia que liga São Paulo ao Rio de Janeiro e por onde circula diariamente metade de tudo que é produzido no Brasil.

A fazenda de nome Pau D’Alho, em São José do Barreiro, também foi caminho de D. Pedro I em São Paulo. Em um momento bem diferente do que vivemos hoje, sem televisão ou internet, era impossível reconhecê-lo, o que fez com que Príncipe Regente passasse por uma situação inusitada por ter provavelmente chegado antes do previsto.

“Ao chegar a uma fazenda chamada Pau D’Alho ele pede um prato de comida. Ele está vestido de viajante e a dona da casa diz: não posso recusar comida a um viajante, mas vai comer na cozinha porque estamos esperando gente especial aqui”, relatou o historiador Paulo Rezzutti. Após o Príncipe Regente ter feito a refeição na cozinha e ir embora, a dona da casa é surpreendida pela chegada da comitiva que o acompanhava e descobre que o viajante, na verdade, era D. Pedro I.

Santos foi outro ponto no roteiro de Dom Pedro I. A importância estratégica tanto do ponto de vista comercial como militar foi o que o levou até a cidade. O historiador Paulo Rezzutti explicou que ele foi para cidade paulista verificar as fortificações, já que lá estava um dos principais portos do Brasil Colônia, dominado por pessoas fiéis ao Príncipe Regente.

Em 7 de setembro, retornando de Santos, D. Pedro I recebeu uma carta do ministro do Reino e dos Negócios Estrangeiros, José Bonifácio, e de sua esposa Leopoldina, e diante da situação, relatada na carta, declarou a independência.

“Quando vinha voltando de Santos ele recebeu as cartas vindas de Portugal e as próprias cartas de Dona Leopoldina e do José Bonifácio contando que as cortes de Lisboa queriam fazer o Brasil retroceder a um status colonial absurdo”, contou o historiador Eduardo Bueno.

Dom Pedro I nos retratos oficiais sempre aparece com o semblante sério e trajes militares, mas no dia a dia tinha um comportamento bem diferente. “Ele adorava a natureza, adorava escalar e cavalgar, tem trilhas no Rio de Janeiro que praticamente foram abertas por ele”, disse Paulo Rezzutti. Interessado por música, foi o autor da melodia Hino da Independência.

Atualmente a liberdade de expressão tem sido atingida, embora garantida pela Constituição. A pandemia foi pretexto para muita restrição às liberdades.

Como em 2020, talvez hoje não haverá parada, devido à pandemia. Mas, pelas expectativas e pelo fato de estar toda a mídia falando, tudo indica que esse 7 de setembro terá um público como nunca se viu mesmo sem parada.

São Paulo é o lugar que mais chama a atenção. Apoiadores do presidente e contrários ao presidente mostrarão suas gentes na Avenida Paulista, uns, e no Anhangabaú, outros. As capitais, com mais exposição, vão atrair manifestantes do interior. Há gente de um novo “fique em casa”, que teme confrontos, o que equivale a temer manifestações e a temer o contraditório — tão saudáveis à democracia. Manifestações democráticas são aquelas que aceitam a diversidade de pensamento. Óbvio que fogo, destruição, paus e pedras, agressões nada têm a ver com democracia, mas com violência, fanatismo e brutalidade.

Que não se resuma o 7 de Setembro em um fora Supremo x fora Bolsonaro. As liberdades estão sendo feridas pouco a pouco, como sempre aconteceu em avanços do totalitarismo. E liberdade, todos são a favor, menos os totalitários. A liberdade de expressão tem sido atingida, embora garantida pela Constituição. A pandemia foi pretexto para muita restrição às liberdades, e é significativo que se vá pedir respeito às liberdades na comemoração do dia em que o príncipe Pedro gritou independência!, provocando a libertação de Portugal. Imitando a voz do príncipe, talvez seja a hora de romper o silêncio sobre as exceções frequentes no cumprimento da Constituição.

O encontro nas ruas tem recebido cada vez mais atenção da mídia. Os estrategistas políticos já devem estar considerando este 7 de Setembro um marcador. Será um divisor de águas, transformando um antes num depois? Como todo poder emana do povo, as ruas poderão ter um poder dissuasório mais que todos os canhões, tanques e soldados que desfilariam nas paradas canceladas.

Editor responsável pela matéria Vagner Stecker.

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