Filho do vice de Lula, Josué Gomes deve afastar Fiesp de Bolsonaro

A troca de comando na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), depois de quase 18 anos, traz a expectativa aos empresários de que a entidade dê uma guinada e deixe de lado um viés mais político, impresso pelo atual presidente Paulo Skaf, que se aproximou do presidente Jair Bolsonaro nos últimos anos.

Segundo avaliação de presidentes de sindicatos e empresários ligados à entidade, que falaram sob a condição de anonimato, a ideia é que Josué foque mais nos problemas e pleitos da indústria, que acabaram ficando em segundo plano nos últimos anos.

Ainda assim, há quem se mostre cético sob os rumos da Fiesp em defender os interesses da indústria sob a batuta de Josué Gomes da Silva, eleito na segunda-feira para presidir a entidade a partir de 2022.

— Skaf ficou muito ligado ao presidente Jair Bolsonaro. Como poderia bater no governo em defesa dos pleitos da indústria? A expectativa é que isso mude agora. Josué é presidente de uma companhia importante, sabe os problemas da indústria e deverá ser mais isento — disse o dirigente de uma importante entidade sindical filiada à Fiesp.

Desde que assumiu a gestão do Grupo Coteminas, em 1994, Josué Christiano Gomes da Silva, de 57 anos, tornou-se um empresário muito respeitado entre seus pares. Quando seu pai José Alencar, que foi vice-presidente no governo Luiz Inácio Lula da Silva, deixou a vida empresarial para se dedicar à política, coube a ele tocar o dia a dia do grupo, aos 31 anos.

Com visão administrativa focada em crescimento e internacionalização, Josué imprimiu sua marca e fez a empresa fundada por seu pai em 1967 tornar-se um gigante do setor têxtil nas Américas.

Perfil político moderado

A Coteminas tem hoje 15 fábricas no Brasil, atua com cinco unidades nos EUA, possui uma fábrica na Argentina e outra no México, e emprega, no total, 15 mil pessoas. Em 2005, Josué fundiu a Coteminas com a americana Springs, criando a Springs Global, que atualmente é a controladora da Coteminas.

Em 2009, a Coteminas cresceu ainda mais no país ao comprar 65% da varejista de cama, mesa e banho MMartan, com 120 lojas no Brasil.

— Josué já foi presidente do Instituto de Estudos Para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit) e é um empresário respeitado, com visão internacional da indústria. É muito qualificado para presidir a Fiesp e deixar sua marca na defesa do setor — diz o presidente-executivo da Abit, Fernando Pimentel.

O atual presidente da Fiesp, Paulo Skaf (à esquerda), cumprimenta o presidente eleito da entidade, Josué Gomes da Silva, e Rafael Cervone, eleito para comandar o Ciesp Foto: Karim Kahn/Fiesp
O atual presidente da Fiesp, Paulo Skaf (à esquerda), cumprimenta o presidente eleito da entidade, Josué Gomes da Silva, e Rafael Cervone, eleito para comandar o Ciesp Foto: Karim Kahn/Fiesp

Entre suas missões na Fiesp, uma delas será unir parte dos empresários descontentes com os quase 18 anos de Skaf à frente da entidade, que avaliam ter tornado a Fiesp uma espécie de quartel general para suas pretensões políticas. Skaf concorreu ao governo do estado de São Paulo nas últimas três eleições e, segundo aliados, pretende concorrer novamente.

Após a vitória, com 97% dos votos na chapa única apoiada por Skaf, Josué declarou que “o Brasil precisa de uma indústria que cresça forte para que o Brasil cresça forte”.

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